Ainda no rescaldo de Londres não posso deixar de mencionar a exposição na Tate Britain de Francis Bacon, uma pintura abolutamente brutal, demente e sofrida. Perturbadora.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Teatro da Cornucópia

Mais uma confirmação da excelente qualidade das peças que se vêem neste teatro. Desta vez fui ver Os Gigantes da Montanha, um extraordinário texto e não menos extraordinário trabalho de actores.
Uma encenação perfeita e uma óptima luz.
Uma reflexão extremamente actual sobre o destino da arte na sociedade em que vivemos.
De um lado, o grupo de marginais inocentes liderados pelo mágico poeta desempenhado, brilhantemente, por Luís Miguel Cintra. Do outro, a trupe da condessa, um grupo de actores que deambula de terra em terra à procura de público. A história começa quando os dois grupos se encontram no sopé da montanha .
"No fundo a peça retrata actores que chegam desiludidos e cansados a um local que está entre dois mundos, isto é, entre a vida e a morte, onde lhes seria possível desembaralharem-se do peso das suas consciências", explica a encenadora Christine Laurent.
Só que sobre a montanha paira a ameaça dos gigantes, que podem ser metaforicamente entendidos como o mercado dos bens culturais que ameaça engolir tudo e todos.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
G

No Queen Elizabeth Hall, no South Bank Centre, tive a oportunidade de ver G pela companhia Australian Dance Theatre.
G tem como ponto de partida a narrativa romântica de Giselle mas completamente descontruida na sua abordagem: histeria, sexo, amor, traição, perda e metamorfose.
O bailarinos, tecnicamente perfeitos, fazem verdadeiras acrobacias que arrepiam "de dor" o público tal o impacto e impossibilidade dos movimentos. A música é absolutamente doentia e obcessiva, o que ajuda na construção histéria que, vim a saber no fim, era pretendida.
A 2ª metade foi uma repetição da 1ª, o que retirou algum do impacto inicial, mas foi, apesar de tudo, um excelente espectáculo.
No fim, adorei o conceito de chamar o director artístico e coreógrafo, e alguns bailarinos, para uma sessão de perguntas/respostas com o público. Não só ajudou a esclarecer e compreender muito do que se tinha visto no placo como criou um ambiente de intimidade bem simpático.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Tate Modern
Confirmei, ou melhor, acentuei, o fascínio por Rothko. A série Black-Form Paintings é absolutamente extraordinária. E, ao contrário do que eu pensava, não estamos perante um abstracionismo puro; a emoção está patente em todos a cada um dos quadros.
"Se vale a pena fazer uma coisa de cada vez, vale a pena fazê-la várias vezes, experimentando e exigindo, pela sua repetição, que o público olhe para ela".
"O que me interessa é a expressão das básicas emoções humanas, a tragédia, o êxtase e o destino... Não sou um pintor abstracto."


É tão bom podermos deambular nestes espaços.
"Se vale a pena fazer uma coisa de cada vez, vale a pena fazê-la várias vezes, experimentando e exigindo, pela sua repetição, que o público olhe para ela".
"O que me interessa é a expressão das básicas emoções humanas, a tragédia, o êxtase e o destino... Não sou um pintor abstracto."

O realizador Michelangelo Antonioni terá dito: Os meus filmes são como os seus quadros. Só falam de nada, mas com precisão.
Uma descoberta: Cildo Meireles e o neo-concretismo.

Um mundo sensorial de experiências.

É tão bom podermos deambular nestes espaços.
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