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quinta-feira, 22 de julho de 2010

Diário da guerra aos porcos


Outra leitura das férias, a 1ª. Não sei se por causa disso, se pela tradução (houve frases que não me fizeram sentido), não "entrei" completamente na narrativa pelo que não me deslumbrou. Provavelmente, incapacidade minha.

Anibaleitor


Um dos livros lidos nas férias. Um livro divertido (dei por mim a rir sózinha), delicioso, emocional(um sorriso) e verdadeiro. Sobre o prazer da leitura.

Só um cheirinho:
Um leitor deve apagar-se perante o livro que está a ler, perguntas tu? Eu não serei tão radical. Porque motivo iria eu deixar de ser eu só por estar a ouvir outro discorrer? E como poderia eu deixar de ser eu, mesmo que quisesse? Acaso já inventaram a cirurgia plástica para o espírito? (...) É no entanto verdade que o leitor tem de saber tentar falar a língua do livro. Falar a língua do livro e abandonar-se à sua melodia, deixar-se ir na corrente, em vez de desperdiçar forças remando contra a maré. Não digo que nos tenhamos de submeter, apenas que devemos estar disponíveis. O livro, ao ser escrito, já deu um grande passo na nossa direcção: é uma dádiva. Cabe-nos agora a nós retribuir a gentileza e dar um passo em direcção ao livro.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Leituras

Já o disse, provavelmente mais do que uma vez, e provavelmente voltarei a dizer, que me sinto bem na literatura africana lusófona, particularmente na angolana. A nossa Língua é inventada e reinventada e fica mais expressiva, mais colorida, mais brincalhona, mais quente e, até, mais suave. Conheço três escritores angolanos: Petetela, Agualusa e Ondjaki e em todos encontro esta saborosa escrita, mesmo quando falam de tristeza, de drama, de sofrimento. É como se as palavras dançassem e eu dançasse com elas.

O último livro de Pepetela, “O Panalto e a Estepe”, é um belíssimo romance de amor, eterno como só o amor pode ser, cruzado com a história recente do povo angolano, uma história de luta e desilusão e de sonhos por cumprir. Começa em Huíla nos anos 60, e chega aos dias de hoje, depois de passar pela União Soviética, Mongólia, Argélia e Cuba.

O “Barroco Tropical” do Agualusa é um romance sombrio mas, e eis que me repito, apesar disso, mesmo nos momentos negros há um movimento festivo, um pulsar vital. Durante a tragédia há festa. Os personagens são exuberantes e fantásticos. É um livro que faz reflectir. É, como li algures, um livro de Esperança escrito ao avesso.